Trump mira Brasil no ‘Dia da Libertação’

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Republicano promete retaliações a países com ‘barreiras injustas’ e pode atingir diretamente setores estratégicos da economia brasileira

O presidente norte-americano, Donald Trump, escolheu esta quarta-feira, 2, para anunciar uma ofensiva comercial com impacto global. Batizado como “Dia da Libertação”, o plano inclui a imposição de novas tarifas a países considerados desleais nos acordos com os Estados Unidos. O Brasil está entre os principais alvos.

Trump já criticou a política comercial brasileira durante seu mandato anterior. Reforçou as queixas em um relatório divulgado na segunda-feira 31 pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA. O documento dedica seis páginas ao Brasil e cita entraves como tarifas elevadas, excesso de tributos e burocracia que encarece o comércio.

Medida pode afetar siderurgia, alimentos e setor tecnológico

O governo de Trump avalia uma medida ampla, com tarifas que podem chegar a 20%. A possibilidade já gerou instabilidade nos mercados. O dólar subiu. Investidores buscaram proteção em ativos como o ouro. Analistas ressaltam que setores estratégicos da economia brasileira devem ser impactados — entre eles, siderurgia, tecnologia, indústria química e alimentos processados.

Desde 12 de março, os EUA já haviam revogado isenções para o aço e o alumínio brasileiros e passaram a cobrar 25% de tarifa. Em 2023, cerca de 10% da produção nacional de aço foi exportada para os Estados Unidos. O novo pacote pode ampliar ainda mais os prejuízos.

Governo Lula promete reação e cogita recorrer à OMC

Autoridades brasileiras se mobilizaram para tentar evitar um conflito comercial. Fernando Haddad, ministro da Fazenda, classificou as possíveis tarifas como “injustificáveis”. O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o Brasil tem déficit comercial com os EUA.

O presidente Lula também reagiu. Enviou um alerta formal ao governo norte-americano e sinalizou que pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). Durante visita ao Japão, não descartou retaliações. “Não podemos aceitar que eles imponham tarifas”, declarou o petista.

Medida de Trump pode pressionar inflação e travar corte de juros

O impacto no Brasil pode ser profundo. Especialistas preveem desaceleração no Produto Interno Bruto (PIB), pressão inflacionária e dificuldade para reduzir a taxa Selic. A entrada de dólares pode cair. O real deve perder valor. Com isso, o Banco Central ficaria com menos margem para baixar os juros.

A posição do Brasil é considerada vulnerável. O país lidera a lista de nações com tarifas mais altas. Um memorando divulgado em fevereiro mostrou que o etanol norte-americano paga 18% para entrar no Brasil, enquanto o produto brasileiro é taxado em apenas 2,5% nos EUA.

EUA também podem sofrer efeitos colaterais

Nos Estados Unidos, o cenário não é confortável. O Goldman Sachs prevê que o PIB norte-americano crescerá apenas 1% em 2025. A inflação pode subir 0,5 ponto. Os riscos de recessão aumentaram para 35%.

A confiança do consumidor recuou pelo terceiro mês seguido, segundo a Universidade de Michigan. O alerta atinge tanto democratas quanto republicanos.

No jornal norte-americano The New York Times, o economista Jason Furman apontou outro risco: ao impor tarifas unilaterais, os EUA podem afastar parceiros comerciais e empurrá-los para a China. A estratégia, segundo ele, ameaça a liderança norte-americana no comércio global.

Crédito Revista Oeste

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Fonte:
Paulo Figueiredo

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