Para o Bradesco BBI, a janela de M&As e follow ons está próxima e vai durar pouco tempo

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O cenário de inflação elevada e a perspectiva de uma taxa Selic terminal de 15% não devem impedir companhias de concretizarem fusões e aquisições ainda este ano. Para André Moor, head do Bradesco BBI, um aumento no número de M&As deve acontecer no segundo semestre de 2025.

Em entrevista ao Call de Negócios, do NeoFeed, Moor, que está na posição desde outubro do ano passado, afirmou que a Faria Lima está “começando a ter mais consciência do que é o cenário de verdade”, após repercussões negativas ao pacote fiscal apresentado pelo governo.

Na visão dele, a economia deve esfriar mais rápido do que o esperado pela maioria dos analistas, abrindo espaço para transações na Bolsa — especialmente follow ons — e para fusões e aquisições.

“Acho que, no fim do ano passado, houve uma frustração ou um desalinhamento de expectativas com o pacote do governo. E a primeira reação do mercado foi uma reação ruim”, analisa o head do banco de investimento do Bradesco.

“Mas vemos a turma sendo mais pragmática e querendo olhar o ano de 2025 como o ano que ‘se eu preciso de uma transação, tenho que fazer neste ano aqui’”, complementa.

No cenário doméstico, o que também pode ajudar a impulsionar transações agora são as eleições presidenciais em 2026, já que anos eleitorais costumam ser marcados por maiores incertezas políticas e econômicas.

“É um consenso que a eleição geralmente é um ano mais complexo, ainda mais observando como foram as últimas duas, três eleições no Brasil. Então, a cada mês que ele (o empresário) deixa de tomar essa atitude (fechar um acordo de M&A), custa um percentual do balanço dele”, diz ele.

Apesar de a maior parte das operações estarem acontecendo em setores que têm pouca relação com a economia local, como infraestrutura, saneamento e energia, Moor vê oportunidades surgirem também em outros segmentos por considerar que muitas empresas estão subvalorizadas. Para se aproveitar disso e ganhar mais market share, a instituição está fortalecendo seu time de especialistas em fusões e aquisições.

André Moor também acredita que o novo governo nos Estados Unidos pode contribuir para fazer com que o investidor estrangeiro volte o foco para mercados emergentes, principalmente para o Brasil:

“O Estados Unidos entregaram muito retorno nos últimos anos para o investidor que apostou lá. Mas, com essa mudança de governo, a gente acredita que pode ter um rebalanceamento em como esses investidores alocam capital, voltando a olhar um pouco mais para mercados emergentes”, afirma o head do Bradesco BBI.

“Se você olhar com o copo meio cheio, que essa mudança de governo lá fora, pode fazer com que o investidor estrangeiro queira diversificar um pouco, vindo para o Brasil”, complementa.

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