“Estou viva. Só queria ver de novo meu filho”, diz sobrevivente de tragédia em Imigrante

Denise Estivalete, professora e coordenadora de curso, se emociona ao lembrar momentos do acidente e da luta pela vida

Só pensava em ver meu filho de novo.” O desabafo emocionado é da professora Denise Estivalete, uma das sobreviventes do grave acidente ocorrido na madrugada deste sábado (5) na ERS-130, em Imigrante, no Vale do Taquari. A tragédia envolveu um ônibus com estudantes de Santa Maria, que seguia para uma visita técnica ao Caquetário Roche, e deixou mortos e feridos.

Coordenadora e professora do curso técnico em paisagismo, Denise estava entre os responsáveis pela excursão. Com formação em arquitetura e urbanismo, ela relata que a viagem fazia parte da rotina pedagógica anual, permitindo aos alunos conhecerem de perto a produção de cactos e suculentas, ampliando o aprendizado prático em projetos paisagísticos.

“Foi tudo muito rápido. Lembro da velocidade, dos gritos…”

Segundo Denise, o acidente ocorreu quando o grupo estava próximo do destino. “Começou a ficar tudo muito rápido, em alta velocidade. Ouvi os alunos gritando para colocarem o cinto. Eu achei que estivesse de cinto, mas me disseram depois que eu estava de pé. Só lembro do impacto e, depois, de estar dentro de uma van, ferida, sendo levada ao hospital”, conta.

Ela sofreu uma lesão extensa no rosto e ferimentos na perna, mas foi atendida rapidamente por equipes médicas de dois hospitais. “O atendimento foi excepcional. Me senti acolhida, mesmo sem saber o nome do hospital, parecia até atendimento particular de tão humano e ágil”, elogiou. Denise ainda destacou que a sutura no rosto foi realizada por um cirurgião plástico, e a da perna por uma ginecologista.

“A ficha ainda não caiu”

Durante o atendimento, Denise tentou ajudar a organizar informações sobre o número de passageiros. “Vi a informação de que eram 40 e poucas pessoas, mas eu tinha certeza que éramos 32 alunos e um motorista. Minha lista estava na mochila, que ficou no ônibus. Só no segundo hospital consegui confirmar isso para a equipe e para os familiares”, relatou.

Ela diz que só mais tarde começou a entender a gravidade da tragédia. “No hospital, ninguém queria me dizer o que tinha acontecido. As pessoas trocavam olhares, se esquivavam. Quando entendi que houve mortes, me desesperei”, contou, emocionada. “A ficha ainda não caiu. Estou viva. Gratidão é o que me resta agora.”

“Pensei só no meu filho”

Com a voz embargada, Denise fala da força que teve durante e após o acidente. “Tenho um gurizinho de 3 anos. Só pensava nele. Só queria ver ele de novo. Isso me deu forças para continuar”, disse.

A professora também fez questão de destacar a atuação da colega Marília, que auxiliou nas identificações e apoio aos alunos: “Ela é meu braço direito e esquerdo. Teve um papel fundamental. Mesmo muito abalada, lembrava os nomes de todos os calouros”.

Entrevista feita por Emilio Rotta, assessoria de imprensa do Hospital Bruno Born

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