Professora chama aluna de ‘presidiária’ após estudante entrar em sala de meia e chinelo: ‘Constrangida’


Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) afirma que a diretoria de ensino apura os fatos para aplicação das sanções administrativas aos envolvidos. Caso aconteceu em Peruíbe (SP). Adolescente disse que foi chamada de ‘presidiária’ por professora ao usar meia e chinelo em Peruíbe (SP)
Arquivo Pessoal e Redes Sociais
Uma adolescente, de 14 anos, alega ter sido chamada de ‘presidiária’ pela professora na frente dos colegas de sala na Escola Estadual José Batista Campos, em Peruíbe, no litoral de São Paulo. Ao g1, a vítima contou que a ofensa ocorreu por ela usar meia e chinelo.
Em nota, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) disse que a diretoria de ensino apura os fatos para a aplicação das sanções administrativas cabíveis aos envolvidos, que pode acarretar até na extinção de contrato (leia o posicionamento completo abaixo).
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O caso ocorreu na escola localizada no bairro Jardim Caraguava, na manhã da última terça-feira (25), mas foi registrado na Delegacia Eletrônica como injúria na segunda-feira (31). A menor, que preferiu não se identificar, afirmou que a professora “pega no pé de pessoas de cor”.
“Eu fui para a escola de meia e chinelo porque estava frio e é normal eu ir assim, mas ninguém nunca reclamou comigo. […] Ela chegou, organizou a sala e depois falou assim: ‘Está achando que você está no presídio?'”, relembrou a estudante.
De acordo com a adolescente, a professora repetiu a pergunta, momento em que ela negou. Em seguida, a docente teria dito que ‘quem está no presídio usa meia e chinelo’ da mesma forma que a menor. Por fim, a mulher falou que a meia da estudante estava suja, ainda de acordo com o relato.
“Ela falou assim: ‘Só que a sua meia está suja porque quando eu era advogada, eu ia lá no presídio e era tudo limpinho, tudo organizadinho'”, afirmou a aluna, que disse ter sido novamente questionada pela professora se achava que estava ou não em um presídio.
A estudante se recusou a responder a pergunta e afirmou que se sentia confortável usando aquelas roupas. Em seguida, a docente perguntou aos outros alunos se quem usa meia e chinelo está no presídio e eles concordaram.
“Ela entra na sala de aula e faz umas coisas que não são brincadeira, ela fala que é, mas não é. Ela está pegando no pé de certos alunos, fica falando que ela é loira”, contou.
Constrangimento
A menor disse ter ficado triste com o ocorrido. “Quando eu participo da aula dela, eu me sinto super desconfortável. Fico super triste lembrando das coisas que ela fala e aí ela entra na sala de aula e finge que nada aconteceu e fica com deboche […] não tem outra palavra, fico chateada e constrangida”.
Ao g1, a mãe da estudante afirmou ter relatado o caso ao Conselho Tutelar e também registrado o BO. Ela contou que não consegue trabalhar com tranquilidade sabendo que a filha passa por esse tipo de situação na escola.
“Mando ela para a escola porque espero que ela tenha um futuro melhor do que o meu”, desabafou a mãe. “Não consegui terminar meus estudos porque tinha que parar para ajudar o meu pai, ajudar meus irmãos”.
Ela disse que está desapontada com a direção da escola, que afirma atuar contra o racismo, mas permitiu o caso na instituição. “Conversando com a diretora, eu senti que ela estava tentando passar pano, encobrir, sabe, a atitude da professora”, alegou a mulher.
A mãe questionou a diretora se a filha não poderá frequentar a escola caso não tenha tênis e ouviu como resposta que alunos vão descalços. “Mas por que então a professora direcionou a ela e fez os alunos olharem para o pé dela? Para passar o maior constrangimento?”, afirmou.
“Isso é inadmissível, eu não aceito. Até cheguei a chorar de nervoso dentro da sala da diretora porque eles estão agindo como se fosse uma coisa normal, sabe?”, finalizou a mãe.
O que diz o Estado?
Em nota, a Seduc-SP informou que um psicólogo do Programa Psicólogos nas Escolas está à disposição da vítima, caso autorizado pela responsável, e que a unidade intensificará projetos para fortalecer a convivência pacífica, o respeito, combate ao bullying e ao racismo.
A pasta informou, ainda, que repudia toda e qualquer forma de discriminação racial, dentro ou fora do ambiente escolar, e que a Diretoria de Ensino está à disposição da comunidades para esclarecimentos.
O g1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-SP), mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
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