Vacina contra a gripe: Ministério da Saúde começa a distribuição de doses para a campanha de 2025

 

Entre os dias 11 e 14 de março de 2025, o Instituto Butantan entregou as primeiras doses da vacina trivalente contra a gripe que será usada pelo Ministério da Saúde (MS) na campanha nacional de imunização deste ano.

O MS já começou a distribuir 35 milhões de doses da vacina contra a gripe para todos os estados das regiões Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Sudeste. A previsão para o início da campanha de reforço da vacinação é em 7 de abril para todo o público-alvo. A estratégia será mantida ao longo do ano, indo além das campanhas sazonais e se integrando ao Calendário Nacional de Vacinação.

Capaz de provocar infecção aguda no sistema respiratório e com grande potencial de transmissão, a gripe é desencadeada pelo vírus influenza, podendo evoluir para quadros graves de pneumonia. Dos 80.618 casos notificados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório em 2024, 16,5% foram de influenza A e 2,1% de influenza B, segundo o boletim InfoGripe da Semana Epidemiológica 52 2024.

As doses que o Butantan encaminhará ao Ministério da Saúde até o final de abril contém as cepas do vírus influenza A/Victoria (H1N1), A/Croácia (H3N2) e B/Áustria (linhagem Victoria) – as mais incidentes no hemisfério Sul neste ano. Além desses lotes, entre agosto e setembro, o Instituto enviará uma nova remessa com 5,9 milhões de doses que serão encaminhadas para os estados do Norte.

Desde 2024, Amazonas, Pará, Acre, Roraima, Rondônia, Amapá e Tocantins têm recebido o imunizante com a composição do hemisfério Norte e realizado sua campanha de vacinação no final do ano, levando em consideração as particularidades do início do inverno amazônico. Em 2025, coincidentemente, as vacinas do hemisfério Norte e Sul possuem a mesma formulação.

 

Mudanças na estratégia

A vacinação contra a gripe em 2025 traz uma novidade: o imunizante foi incorporado ao Calendário Nacional de Vacinação para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e pessoas 60+, e será ofertado ao longo de todo o ano para esses públicos. Anteriormente, a campanha acontecia em período específico – entre março e maio, época que precede o inverno e quando acontece maior circulação do vírus influenza.

O objetivo da nova estratégia é ampliar a proteção contra a doença e garantir um acesso mais abrangente e eficaz à vacina.

Além dos grupos prioritários que já fazem parte do Calendário Nacional de Vacinação como crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e idosos a partir de 60 anos, o público-alvo da estratégia também é formado por:

– Trabalhadores da saúde;
– Puérperas;
– Professores dos ensinos básico e superior;
– Povos indígenas;
– Pessoas em situação de rua;
– Profissionais das forças de segurança e de salvamento;
– Profissionais das Forças Armadas;
– Pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais (independentemente da idade);
– Pessoas com deficiência permanente;
– Caminhoneiros;
– Trabalhadores do transporte rodoviário coletivo (urbano e de longo curso);
– Trabalhadores portuários;
– Funcionários do sistema de privação de liberdade;
– População privada de liberdade, além de adolescentes e jovens sob medidas socioeducativas (entre 12 e 21 anos).

Apesar do início oficial da vacinação estar marcado para o dia 7 de abril, o Ministério da Saúde recomenda que estados e municípios iniciem a estratégia assim que receberam as doses do imunizante.

Para a vacinação de 2025, o Ministério da Saúde adquiriu 73,6 milhões de doses. No primeiro semestre, está prevista a distribuição de 67,6 milhões doses para as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. No segundo semestre, serão distribuídas 5,9 milhões de doses para a Região Norte. O valor total do investimento é de R$ 1,3 bilhões, e o público-alvo é de 81,6 milhões de pessoas.

A meta é vacinar 90% dos grupos prioritários do Calendário Nacional de Vacinação, que incluem crianças, gestantes e idosos, com estimativa de público-alvo em cerca de 50 milhões de pessoas.

A campanha será realizada em dois momentos:

– Primeiro semestre: março/abril, nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul;
– Segundo semestre: setembro, na Região Norte, alinhando-se ao período de maior circulação viral na região.

 

Por que a vacina muda todo ano?

Devido à rápida velocidade de mutação e adaptação do vírus, o imunizante contra a gripe precisa ser atualizado anualmente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha a circulação do vírus no mundo e indica quais são as cepas mais incidentes, ou seja, que devem estar contidas nas vacinas. São publicadas duas recomendações: uma em fevereiro, específica para os países do hemisfério Norte; e outra em setembro, para as nações do hemisfério Sul.

 

Proteção e segurança

A vacina trivalente contra influenza de 2025 pode ser administrada junto a outras vacinas do Calendário Nacional de Vacinação, porém, é contraindicada para crianças menores de 6 meses e pessoas com histórico de anafilaxia grave após doses anteriores.

A influenza e a covid-19 continuam sendo ameaças para a saúde pública, especialmente para as pessoas não vacinadas. Em 2024, a cobertura vacinal do público prioritário foi 48,89% na região Norte e 55,19% nas demais regiões (a meta preconizada pela OMS é de 90%). O Ministério da Saúde reforça a importância da vacinação e conta com a participação de toda a população. Vacinar-se é um ato de cuidado próprio e coletivo. As vacinas são seguras, eficazes e gratuitas.

 

Fontes:

Ministério da Saúde
Natasha Pinelli / Instituto Butantan

Adicionar aos favoritos o Link permanente.