Capinzalense recebe homenagem pelos 40 anos de atuação como Oficial de Justiça

Capinzalense recebe homenagem pelos 40 anos de atuação como Oficial de Justiça

Por 40 anos, João
Narciso Hostert percorreu ruas e estradas da comarca de Capinzal com uma missão
clara: levar a Justiça a todos os cantos. Neste mês de março, além de comemorar
o Dia do Oficial de Justiça, celebrado em 25 de março, o servidor completa quatro
décadas de dedicação à mesma unidade do Poder Judiciário no meio-oeste
catarinense. Ao alcançar essa marca, diz que é chegada a hora de desacelerar.

 

No início da
carreira, Narciso era jovem, recém-casado com Sueli, e buscava estabilidade
para construir uma vida ao lado da esposa, com quem teve três filhos. Com
passagens temporárias pela área da mecânica, estava desempregado quando recebeu
um incentivo da secretária do foro, Ruth Dambrós: fazer o concurso para oficial
de justiça. 

 

“Quando soube que
poderia escrever os mandados à mão, porque não sabia usar a máquina de
datilografia, resolvi tentar”, lembra. Foi aprovado, em terceiro lugar. “O
primeiro colocado assumiu, não se identificou com o cargo e saiu logo em
seguida.”

 

O segundo
colocado, Celso Faccin, assumiu o posto. Pouco tempo depois, Narciso também foi
chamado. Eles se tornaram colegas e amigos. “Antes de entrar, eu nem sabia o
que era o Fórum. Cheguei curioso e com medo”, conta. O receio durou pouco.
Logo, Narciso percebeu que havia encontrado o seu lugar.

 

Memórias de uma vida

 

Ao longo das
décadas, Narciso acompanhou muitas mudanças na forma como a Justiça funciona.
Conhece como poucos o mapa de Capinzal e estima ter rodado mais de um milhão de
quilômetros para cumprir seu ofício.

 

Dentre as
histórias que carrega, uma se destaca. Em um mandado de penhora, ao chegar ao
local, se deparou com uma situação de extrema pobreza. “A casa estava coberta
com lona, e o morador não tinha nada”, lembra. Diante da situação, retornou ao
Fórum e conversou com o juiz. O magistrado, sensibilizado, acionou a prefeitura
e buscou garantir moradia digna para o cidadão.

 

Um servidor querido

 

Narciso é
conhecido como “Fio”, apelido que nasceu do jeito carinhoso com que se refere
aos colegas — chamando todos de “fio” ou “fia”. “É uma forma afetuosa de tratar
as pessoas. Não são filhos da gente, mas são todos filhos de Deus”, explica. O
apelido virou marca registrada, e ele se tornou uma figura querida e respeitada
no Fórum e na comunidade.

 

Em reconhecimento
pelos seus 40 anos de trabalho, colegas prepararam uma homenagem surpresa.
“Disseram que o juiz, doutor Caio, queria uma reunião comigo. Fiquei
apreensivo. Quando cheguei, percebi que era uma celebração. Foi emocionante e
me senti muito feliz”, conta.

 

Esse espírito de
união é um traço marcante da equipe em Capinzal, segundo ele. “Sempre fomos
muito unidos. Um ajuda o outro nas dificuldades. Isso nos motiva a fazer o
melhor, todos os dias.”

 

Um novo ciclo

 

Com quase 70 anos
e viúvo, Narciso pensa em se aposentar. Em 2021, sofreu um acidente vascular
cerebral e precisou se afastar, mas voltou ao trabalho. Desde então, sente a
saúde mais frágil e acredita que chegou o momento de desacelerar.

 

Ainda não definiu
a data da aposentadoria, mas tem planos claros: “Estou criando abelhas sem
ferrão. Já aprendi algumas técnicas e quero me dedicar a isso. O mel que elas
produzem tem propriedades medicinais. Também pretendo ajudar minha filha a
cuidar das vacas leiteiras no sítio. Assim, fico mais perto dela e da família.”

 

Essa será a nova
fase de quem dedicou a vida ao serviço público e fez da Justiça parte da sua
própria história.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.