Empresas recebem mais de 120 denúncias em um ano

Levantamento mostra que 43% das organizações que disponibilizam canais registraram relatos de irregularidades

Quase metade das empresas que disponibilizam canal de denúncias (43%) recebeu mais de 120 denúncias no último ano. Os dados são da “Pesquisa Perfil do Hotline no Brasil 2024”, conduzida pela KPMG. O levantamento também trouxe outros dados sobre a ferramenta, usada por 93% das organizações que participaram da pesquisa.

Considerado um dos pilares para o programa de compliance, o canal de denúncias, também chamado de hotline, permite que funcionários, clientes, fornecedores e parceiros possam denunciar irregularidades e comportamentos inadequados de forma confidencial e anônima.

Estudos recentes sobre os canais de denúncias revelam a importância de compreender o que é governança corporativa, sistema formado por princípios, regras e estruturas, pelo qual as organizações são dirigidas e monitoradas, com vistas à geração de valor sustentável para a organização, conforme explica o Instituto Brasileiro Governança Corporativa (IBGC). 

Ao integrar práticas internas como o canal de denúncias, as organizações conseguem criar um ambiente onde os colaboradores se sentem seguros para relatar irregularidades, contribuindo para a transparência e a integridade.

Importância do anonimato no canal

As 67 empresas entrevistadas para a pesquisa se dividem nos segmentos de agronegócio, automotivo, consumo e varejo, energia e recursos naturais, indústria, ciências da vida, saúde, serviços financeiros e tecnologia, entre outros. 

O canal de denúncias ou hotline é citado pelo levantamento como uma ferramenta capaz de transmitir segurança e confiabilidade. Cerca de 85% dos denunciantes preferem não se identificar para evitar conflitos, o que demonstra a relevância do anonimato. 

Para quem ainda não sabe como criar um canal de denúncias na empresa ou como é o seu funcionamento, é importante que a ferramenta dê ao denunciante o poder de escolha sobre o anonimato do relato. É ele quem escolhe se sua denúncia será assinada ou não. 

Essa característica protege a pessoa contra possíveis represálias, retaliações ou discriminação no local de trabalho, incentivando mais colaboradores ou fornecedores a denunciarem, sem medo de consequências negativas. 

Gestão do canal de denúncias

O canal de denúncias faz parte de uma das premissas do compliance, mas segundo a pesquisa, a gestão da ferramenta é responsabilidade desse setor em apenas 55% das empresas. Para 84% das empresas que têm o hotline, o canal e o primeiro atendimento ao denunciante são operados por terceiros, contratados para essa finalidade. 

Em comparação com a pesquisa anterior, as boas práticas de mercado se destacaram, aumentando de 19% para 27% como motivação para a implementação do hotline. 

As influências de aspectos regulatórios também mostraram crescimento, passando de 14% para 21%. A pesquisa indica que o website está perdendo espaço como o canal de denúncias mais utilizado, diminuindo de 78% para 59%. Outro dado é que 33% dos entrevistados investem até R$ 60 mil anuais no canal de denúncias.

No que diz respeito ao plano de ação, a maioria das decisões é delegada a um comitê de ética (35%). Além disso, 32% dos entrevistados indicam que a resposta depende da gravidade da denúncia. Para 11% dos participantes, a responsabilidade recai sobre o setor de compliance, enquanto 10% apontam o investigador e outros 10% o CEO como responsáveis.

Apuração das denúncias

A Pesquisa Perfil do Hotline no Brasil 2024 mostra, também, que na apuração das denúncias, a coordenação é a principal acusada de má conduta. A gerência e a coordenação, por sua vez, por assédio moral. Enquanto os analistas e o staff são os principais alvos de denúncias por assédio sexual e discriminação. 

Entre os dois levantamentos, foi observado aumento na detecção de fraudes no estágio inicial, passando de 14% para 22%, graças ao serviço de hotline. Também houve uma redução no risco de compliance com terceiros, que diminuiu de 11% para 9%.

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