Desentendimento em posto de saúde de Ouro vira caso de polícia

Uma mulher de 62 anos registrou um boletim de ocorrência relatando demora no atendimento no Posto de Saúde do centro de Ouro e a falta de informações sobre uma possível cirurgia que ela teria que fazer, motivo pelo qual houve um desentendimento envolvendo funcionários e autoridades, momento no qual aconteceu uma discussão e empurrões. O fato aconteceu na manhã desta terça-feira (19) e ela registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia de Capinzal.

De acordo com a mulher, desde o dia 22 de dezembro de 2023 ela espera por uma cirurgia de urgência no braço, conforme orientações do médico do Posto de Saúde do Parque Jardim Ouro. Porém, ainda, segundo ela, uma diretora de Saúde e a secretária municipal dizem que no momento não há esse profissional para fazer o procedimento.

Na manhã desta terça a mulher foi até o Posto de Saúde mais uma vez solicitar a cirurgia. No local iniciou-se uma discussão envolvendo ela, funcionários e autoridades municipais. Nesse momento, outra funcionária da unidade começou a gravar o acontecimento. Foi então que ela pediu para parar de gravar e nesse momento houve empurrões de ambas as partes e xingamentos. A mulher ainda relatou ao Portal Magronada que seu marido foi agredido.

Segundo a delegada da comarca, Fernanda Gehlen da Silva, “um Boletim de Ocorrência foi registrado pela Polícia Militar ainda no local do fato. Havendo o registro, a determinação é para que não seja feito um novo BO, para não gerar duplicidade, mas aditado aquele já existente e incluídas as informações supervenientes. Essa é a determinação e foi a informação passada na Delegacia. As versões de cada um são colhidas dentro do mesmo BO ou em depoimento, no procedimento instaurado”, disse.

Contraponto

A assessoria de comunicação da prefeitura de Ouro divulgou nota na tarde desta quarta-feira (20) sobre o assunto. Leia:

“A Administração Municipal de Ouro lamenta o fato ocorrido na manhã desta terça-feira, dia 19, quando uma paciente alterada entrou na Unidade Básica de Saúde (UBS) e ofendeu moralmente os servidores públicos durante o horário de expediente.

Para restabelecer a verdade, a Secretaria informa que:

Primeiramente não houve demora no atendimento, pois a paciente foi a UBS central para realizar um eletro com hora marcada e logo que chegou já foi atendida.

Em relação a falta de informação sobre a cirurgia também não procede, pois por inúmeras vezes foram repassadas as orientações, tanto presencialmente quanto via WhatsApp, como pode ser comprovado através dos registros do WhatsApp do setor responsável (TFD municipal). Após o episódio, a paciente apagou alguns áudios que foram enviados, mas que já haviam sido salvos pela Secretaria.

Em relação a citação de que “uma Diretora de Saúde e a Secretária municipal dizem que no momento não há esse profissional para fazer o procedimento”, informamos que a Diretora de Saúde nunca havia conversado com a paciente, vindo a conhecê-la no dia do ocorrido. Sobre a informação de que não havia profissional para realizar o procedimento, isso nunca existiu por parte das citadas.

A Secretaria salienta que desde o primeiro momento, o que foi repassado é que o procedimento havia sido inserido no Sistema de Regulação Estadual (SISREG) conforme solicitação médica, e regulada por equipe médica especializada estadual, que classifica o grau de risco e prioridade conforme protocolo de acesso e de acordo com os dados clínicos contidos na solicitação médica.

Sendo assim, a Secretaria cumpriu com todas as obrigações pertinentes ao município. O que a mesma estava exigindo do município era um atendimento imediato, burlando o sistema de regulação, ou seja, “furar a fila”.

A Secretaria Municipal da Saúde não tem poder para acelerar atendimentos dessa natureza e não compactua com quem quer burlar o sistema em benefício próprio.

No dia anterior, a paciente já havia encaminhado áudio ameaçando e falando o que iria fazer. Já entrou na UBS discutindo e, muito alterada, exigia a realização imediata da cirurgia.

Contudo foi acionada a Polícia Militar pois a referida senhora já teve outros episódios como este, em outra unidade de saúde, algumas semanas antes e por motivos diferentes.

Por precaução, uma funcionária da Unidade de Saúde iniciou a gravação para comprovação dos fatos. Neste momento, a paciente e seu esposo partiram para cima da servidora para retirar o celular e precisaram ser contidos. Importante ressaltar que em momento algum seu marido foi agredido.

Após o episódio, a Secretaria da Saúde providenciou o registro do Boletim de Ocorrência e apresentou os registros comprobatórios”.

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