Pessoense prefere fotografia e vídeo

Siga @radiopiranhas

Frequências de idas ao cinema, teatro, museu e festas populares, ou mesmo preferências por dados gêneros musicais, tudo isso revelado em números que refletem os hábitos culturais dos brasileiros. Para debater sobre essas e outras preciosas informações referentes (no nosso caso) às rotinas de consumo artístico-cultural dos pessoenses, realizou-se na tarde de ontem, no Auditório 1 do Espaço Cultural José Lins do Rêgo (Tambauzinho, JP), o seminário “Cultura nas Capitais”. Com entrada gratuita, o evento se dividiu em duas mesas temáticas.

Os resultados são animadores: segundo o estudo, a capital paraibana é uma das cidades com maior número de habitantes que praticam alguma atividade cultural (na casa dos 40%), mesmo por diletantismo. Entre os segmentos inquiridos pela investigação, fotografia e vídeo estão entre as principais escolhas culturais dos pessoenses.

Considerada a maior pesquisa quantitativa sobre cultura nas metrópoles brasileiras — foram 19.500 entrevistas presenciais realizadas em parceria com o Instituto Datafolha, de 19 de fevereiro a 22 de maio de 2024, com patrocínio do Itaú e do Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) —, a apresentação pública dos resultados do estudo já passou por Curitiba, Belém, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Natal, João Pessoa e aportará no Recife no próximo dia 2 de abril.

A agenda de seminários e debates contempla todas as capitais, mais o Distrito Federal. João Leiva, diretor da JLeiva Cultura e Esporte, é o responsável pelo estudo, que deu seu pontapé inicial no dia 3 de fevereiro, em São Paulo. Distante de um levantamento reducionista, a investigação buscou correlacionar variáveis sociodemográficas cruciais em torno do tema. Afinal, a renda, ou os níveis de educação, por exemplo, são fatores fundamentais para o acesso (ou exclusão) à cultura. Em João Pessoa foram realizadas 600 entrevistas, distribuídas em 60 pontos de coleta.

A equipe elencou 14 tipos de atividades culturais, buscando apontar o quantitativo de pessoas que frequentaram pelo menos uma vez alguma dessas atividades nos 12 meses que precederam o levantamento. Os índices podem ser consultados no site da iniciativa (culturanascapitais.com.br), com barras interativas que isolam dados como gênero, escolaridade, classe social, etnia, entre outros.

Apesar do bom prognóstico, ainda estamos aquém das médias nacionais no tocante a visitações a museus, bibliotecas e saraus poéticos, superando a média em relação à apreciação de música clássica. Os dados apontaram ainda que o número de pessoas interessadas em consumir cultura em João Pessoa chega a ser ainda mais expressivo do que o efetivo daqueles que literalmente o fazem.

Mesas

A mesa 1, “Acesso à Cultura nas Capitais — Desigualdade e Diversidade”, contou com a presença do diretor-executivo da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), Marcus Alves, da presidente da Fundação Espaço Cultural (Funesc), Bia Cagliani, e do representante da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), Josemberg Pereira. Após incursões de João Leiva, anfitrião da pesquisa, sobre alguns dos números apresentados, os componentes da mesa foram instados a tecer comentários.

“Confesso que alguns números me surpreendem, porque somos uma cidade que não possui muitos grupos de dança”, destacou Bia Cagliani, considerando sua expertise junto a esse segmento artístico.

Marcus Alves afirmou a relevância da pesquisa, como trabalho de fôlego. “Nós, que somos produtores, gestores, ficamos meio que às cegas em relação à cultura. Devemos nos preocupar se estamos atendendo às demandas do público ou fazendo produção cultural entre nós mesmos”, ressaltou. Ao mesmo tempo, lembrou do bom momento vivido pelo campo cultural na atualidade, em detrimento à criminalização da cultura experimentada, nomeadamente, durante o Governo Bolsonaro.

“São informações muito pertinentes. Basicamente, o recorte vem na perspectiva dos fazedores de cultura e faz com que a gente pense em sistematizar melhor o acesso a essa produção”, pontuou Josemberg.

Já a mesa 2, intitulada “Hábitos Culturais em João Pessoa — Música, Espaços e Eventos”, foi composta por Gabriel Moura (produtor e gestor cultural), Dina Faria (diretora-geral da Atua Comunicação Criativa) e Rayan Lins, também produtor cultural.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 26 de março de 2025.

source
Fonte

A União

Adicionar aos favoritos o Link permanente.