Polícia investiga estupro de aluno

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Após vir à tona uma denúncia de estupro envolvendo um aluno da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que teria sido violentado em um banheiro do Centro de Ciências da Saúde (CCS), no Campus 1, na última segunda-feira (24), a instituição confirmou ontem que a vítima já foi identificada. O caso, que começou a ser divulgado nas redes sociais, antes de chegar oficialmente à administração da instituição, está sendo investigado pela Superintendência de Segurança Institucional (SSI), acionada assim que a universidade tomou conhecimento da denúncia. Segundo a chefe de gabinete da Reitoria da UFPB, Maria José de Figueiredo, a identidade da vítima será preservada.

Em entrevista ao Jornal A União, a porta-voz da UFPB explicou que, a princípio, a Reitoria não havia recebido nenhuma comunicação oficial sobre o caso. Também não existia um registro formal do crime, o que levou a universidade a consultar as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) e a Polícia Civil da Paraíba (PCPB) para confirmar a denúncia. “Fizemos uma varredura em todas as delegacias da Paraíba e, até as 7h da manhã de terça-feira [25], não havia nenhum boletim registrado. Somente às 8h15 conseguimos confirmar que o crime havia sido formalmente denunciado”, relatou Maria José.

A reportagem procurou a Polícia Civil para obter mais detalhes sobre a ocorrência, mas o órgão afirmou que não divulgará informações adicionais para preservar a identidade do estudante vitimado. Ainda segundo a PCPB, a investigação do caso está sob responsabilidade da Delegacia de Repressão aos Crimes Homofóbicos, Étnico-Raciais e de Intolerância Religiosa (Dechradi). “Vítima e testemunhas serão ouvidas”, informou a polícia, em nota.

O Conselho Universitário (Consuni) da UFPB também divulgou um comunicado para manifestar “sua irrestrita solidariedade à vítima, aos familiares, aos amigos, aos colegas e à comunidade universitária”. Afirmou, ainda, que “cabe garantir a preservação dos direitos da vítima e o acolhimento necessário, de modo a evitar sua revitimização”, frisando “o compromisso da UFPB em apurar e responsabilizar o autor da violência. A UFPB não tolerará mais situações de violência em seu espaço”. Por fim, o Consuni se disse comprometido com a aprovação de uma Política de Segurança Institucional, “que contemple a preservação da vida, o respeito aos direitos humanos, a apuração e a responsabilização de todos os casos de violência e assédio na UFPB, resguardando a integridade e a identidade das vítimas”.

Instalação de câmeras deve começar em março

Após a repercussão do caso, a UFPB anunciou que reforçará a segurança no campus de João Pessoa. Entre as medidas previstas, está a instalação de câmeras de monitoramento em toda a universidade — que deve começar no próximo mês, com prioridade para a Reitoria e o CCS. Também constam na lista os centros de Ciências Jurídicas de Santa Rita (CCJ); de Tecnologia e Desenvolvimento Regional (CTDR); e de Informática (CI). “A reitora Terezinha Domiciano já havia planejado essa distribuição, antes mesmo do caso. A implementação não será imediata, mas já está em andamento”, declarou Maria José.

A falta de iluminação adequada no campus é outro fator que preocupa a comunidade acadêmica. Assim que o caso tornou-se público, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) publicou uma nota de repúdio nas redes sociais, cobrando não apenas mais vigilância e o aumento da presença de agentes de segurança, como também melhorias na iluminação. “Não podemos permitir que a negligência contribua para a perpetuação da violência. A notícia de um estupro dentro das dependências da universidade, um espaço que deveria ser seguro para todos, é revoltante e inaceitável”, destacou a entidade. Quanto a isso, a chefe de gabinete da Reitoria comentou que a Superintendência de Infraestrutura (Sinfra) da UFPB já está mapeando o Campus 1 para identificar as áreas mais críticas e realizar intervenções, mas ressaltou que elas dependerão de processos administrativos.

Sobre ações de acolhimento a alunos que tenham passado por episódios desse tipo, a Reitoria salientou a implementação da Sala Lilás, um espaço especializado no atendimento a pessoas em situação de violência, assédio ou importunação sexual. “A professora Terezinha tem trabalhado muito essa pauta. A Sala Lilás já faz parte das nossas estratégias de enfrentamento e de acolhimento”, concluiu Maria José.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 27 de fevereiro de 2025.

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A União

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